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2016,Abril,Prosa
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Paralisias
Despertou. Teve a impressão de demorar um minuto inteiro
para abrir os olhos. Tentou olhar o relógio, quando percebeu que não podia se
mover. Tentou de novo. Tentou mover outra parte do corpo. Nada. Lembrou-se que
tivera algo parecido quando criança. Era paralisia do sono.
Teria entrado em desespero frenético, não fosse uma certa
familiaridade com a sensação. Sentir-se presa dentro de si mesma. Limitada.
Debater-se inutilmente em situações fadadas ao fracasso completo. Lutar em vão
por coisas tão simples como mover o braço. Estar ciente de algo fora de seu
controle racional. O mundo inteiro parecendo pesar sobre o peito. Afogar-se em
tentativas inúteis de alcançar a superfície.
A respiração diminuía, sentiu que podia simplesmente pará-la.
O pensamento lhe fez correr uma lágrima. Levou uma mão a face para secá-la. E
percebeu estar livre da paralisia do sono. Deixou que as lágrimas continuassem.
Estava presa em outra paralisia: a vida.
I.B.P.
10 de Abril de 2016
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