sábado, 9 de abril de 2016

Paralisias

Despertou. Teve a impressão de demorar um minuto inteiro para abrir os olhos. Tentou olhar o relógio, quando percebeu que não podia se mover. Tentou de novo. Tentou mover outra parte do corpo. Nada. Lembrou-se que tivera algo parecido quando criança. Era paralisia do sono.

Teria entrado em desespero frenético, não fosse uma certa familiaridade com a sensação. Sentir-se presa dentro de si mesma. Limitada. Debater-se inutilmente em situações fadadas ao fracasso completo. Lutar em vão por coisas tão simples como mover o braço. Estar ciente de algo fora de seu controle racional. O mundo inteiro parecendo pesar sobre o peito. Afogar-se em tentativas inúteis de alcançar a superfície.

A respiração diminuía, sentiu que podia simplesmente pará-la. O pensamento lhe fez correr uma lágrima. Levou uma mão a face para secá-la. E percebeu estar livre da paralisia do sono. Deixou que as lágrimas continuassem. Estava presa em outra paralisia: a vida.


I.B.P.
10 de Abril de 2016

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