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Sobre invisibilidades
Sempre quis que as pessoas vissem através de mim
E não me vissem at all
Sempre quis que me deixassem em paz
Até que meus esforços me levassem a inexistência
Sempre que mergulhei quis me sentir parte de um todo silencioso
Me dissolver,
Dissipar como brisa
Desaparecer em alguma dimensão paralela
O vento em meu rosto era o que me mantinha existindo
A resistência do ar sempre me materializava de repente
Me tirava do meu canto fantasmagórico
Me forçava a respirar fundo
Em um mar tempestuoso aprendi
Viver exige incômodo
Exige desafiar a resistência do ar
Exige cortar ondas
E deixar que outras se choquem contra o barco
Viver exige levantar-se
Afirmar-se, desafiar-se
Viver demanda esforço
Caso contrário não é existência
É ausência
Se não é existência
É desistência
De sonhos
De dores
De sabores
De tudo que poderia ser.
Izuara,
10.01.2018
10.01.2018

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