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2012,Conto,Março,Prosa
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Desencantada
Ela sabia. Sabia desde o início que se tratava de ilusão.
Afinal, já não acreditava em finais felizes e por definição própria era desencantada.
Um rapaz como ele e toda aquela atenção pra uma garota como ela, toda
preocupação, toda simpatia, toda delicadeza, todo aquele charme e aquele
sorriso bobo. Ela sabia que era ilusão.
Ilusão, era tudo que pensava quando estava com ele. Não se
permitiria entregar-se a este devaneio, mantinha os dois pés atrás. Desviava a
atenção pra qualquer ponto, quando ele lhe vinha à cabeça. “Não posso
acreditar, é ilusão!”- repetia para si mesma, enquanto ele continuava a olhá-la
com um sorriso bobo.
Mas as coisas não continuam como deviam ser... E em alguma
infeliz coincidência, aproximaram-se o suficiente para ficarem sem ação. A mão
dele aproximou-se do seu rosto enquanto ela tentava se convencer à mover-se
dali – era ilusão.- repetia. Os lábios
se encostaram, os pensamentos se perderam, se misturaram e ficaram sem sentido
e as calaram-se relutâncias.
Não sabiam dizer quanto tempo durou o beijo, mas com
certeza, o silêncio entre este e o beijo seguinte foi maior. Ela, com um
sorriso tímido, pensava – É ilusão, eu sei.
O que vamos dizer? Talvez ela tenha mesmo se cansado da vida
real e acabara de preferir uma ilusão. A vida é mesmo assim... Será ilusão? Talvez.
Mas neste momento era real.
Izuara Beckmann,
12 de Março de 2012.*
12 de Março de 2012.*
Comentários:
*Escrito bem antes, encontrado só dia 12 de Março.
*Escrito bem antes, encontrado só dia 12 de Março.

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