sexta-feira, 13 de abril de 2012

Desencantada




Ela sabia. Sabia desde o início que se tratava de ilusão. Afinal, já não acreditava em finais felizes e por definição própria era desencantada. Um rapaz como ele e toda aquela atenção pra uma garota como ela, toda preocupação, toda simpatia, toda delicadeza, todo aquele charme e aquele sorriso bobo. Ela sabia que era ilusão.

Ilusão, era tudo que pensava quando estava com ele. Não se permitiria entregar-se a este devaneio, mantinha os dois pés atrás. Desviava a atenção pra qualquer ponto, quando ele lhe vinha à cabeça. “Não posso acreditar, é ilusão!”- repetia para si mesma, enquanto ele continuava a olhá-la com um sorriso bobo.

Mas as coisas não continuam como deviam ser... E em alguma infeliz coincidência, aproximaram-se o suficiente para ficarem sem ação. A mão dele aproximou-se do seu rosto enquanto ela tentava se convencer à mover-se dali – era ilusão.- repetia.  Os lábios se encostaram, os pensamentos se perderam, se misturaram e ficaram sem sentido e as calaram-se relutâncias.

Não sabiam dizer quanto tempo durou o beijo, mas com certeza, o silêncio entre este e o beijo seguinte foi maior. Ela, com um sorriso tímido, pensava – É ilusão, eu sei.

O que vamos dizer? Talvez ela tenha mesmo se cansado da vida real e acabara de preferir uma ilusão. A vida é mesmo assim... Será ilusão? Talvez. Mas neste momento era real. 

Izuara Beckmann,
12 de Março de 2012.*
Comentários:
*Escrito bem antes, encontrado só dia 12 de Março. 

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