terça-feira, 3 de junho de 2014

O sobrevivente


Sobreviveu à explosão,
ao aumento brusco de temperatura.
Resistiu até mesmo à solidão,
e a extinção de toda cultura.

Conservou-se em movimento,
tinha tudo e tudo era nada,
sobre uma superfície arrasada,
prosseguia uma sina arrastada.

Mas não escapou da paranoia,
das sortes jamais seladas,
de ser seguido por todos que já não eram,
das vozes eternamente caladas.

Não restou nada que justificasse a busca,
nenhuma gota de esperança.
Tudo foi se esgotando aos poucos
até não sobrar nem a rima.

Izuara Beckmann,
04 de Junho de 2014.


** Poema publicado também em Cyber Café - Clube do Conto.

1 comentários:

Muito bom izuara!

Felipe Midlhey

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