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2014,Cyber Café,Maio,Prosa
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Sonho e realidade
Sonhou. E no sonho era um corcel negro em chamas. Não sentia
dor, nem mesmo calor. Apenas disparava em direções aleatórias numa velocidade,
que ele simplesmente sabia, superava a do som.
Sempre tão sistemático e tão programado. Poderia dizer com
certeza onde estaria na quinta-feira às cinco da tarde, mesmo sendo ainda
início de semana. A simples ideia de tomar um rumo aleatório lhe dava
calafrios, tudo era antecipadamente calculado e decidido.
Fora da realidade, deixava rastos em chamas ora na relva
verde, ora em terreno árido. O vento, por vezes tão forte que lhe obrigava a
fechar os olhos, parecia conduzir seus passos as fronteiras derradeiras.
Precipícios, o limite e sua negação.
Sempre um meio termo. Nada de extremos, exageros ou riscos.
Tudo linearmente predisposto. Tudo certo, respondido e definido.
Em seu devaneio não era nada além do corcel. Não pensava em
nada. Não respondia às perguntas que lhe cutucavam a mente. Ignorava os fatos,
os avisos e as certezas. Inconstante. Inconsciente.
Acordou as 6:25 como de costume. Tinha um ônibus pra tomar
às 7:00 e uma apresentação no trabalho. Constante. Consciente.
Izuara Beckmann,
12 de Maio de 2014.
12 de Maio de 2014.
* Imagem Fonte: 25 Hot and Sizzling Depictions of Fire - nº 18
** Poema publicado também em Cyber Café - Clube do Conto.

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