domingo, 1 de junho de 2014

Sonho e realidade


     Sonhou. E no sonho era um corcel negro em chamas. Não sentia dor, nem mesmo calor. Apenas disparava em direções aleatórias numa velocidade, que ele simplesmente sabia, superava a do som.
      Sempre tão sistemático e tão programado. Poderia dizer com certeza onde estaria na quinta-feira às cinco da tarde, mesmo sendo ainda início de semana. A simples ideia de tomar um rumo aleatório lhe dava calafrios, tudo era antecipadamente calculado e decidido.
     Fora da realidade, deixava rastos em chamas ora na relva verde, ora em terreno árido. O vento, por vezes tão forte que lhe obrigava a fechar os olhos, parecia conduzir seus passos as fronteiras derradeiras. Precipícios, o limite e sua negação.
     Sempre um meio termo. Nada de extremos, exageros ou riscos. Tudo linearmente predisposto. Tudo certo, respondido e definido.
      Em seu devaneio não era nada além do corcel. Não pensava em nada. Não respondia às perguntas que lhe cutucavam a mente. Ignorava os fatos, os avisos e as certezas. Inconstante. Inconsciente.
     Acordou as 6:25 como de costume. Tinha um ônibus pra tomar às 7:00 e uma apresentação no trabalho. Constante. Consciente. 

Izuara Beckmann,
 12 de Maio de 2014.



* Imagem Fonte: 25 Hot and Sizzling Depictions of Fire - nº 18
** Poema publicado também em Cyber Café - Clube do Conto.

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