quinta-feira, 15 de março de 2012

Sobre coisa alguma e inutilidades...


Caneta nova e uma folha em branco. Só pra ver quanta inutilidade eu escrevo em uma hora e variações. Não que as palavras teimassem em sair, digo irremediavelmente sem considerar a solidão. Acho que a solidão é a grande culpada, ou o medo de altura*... tanto faz.

Agora, aqui, vejo o quanto é hipócrita passar a limpo uma poesia**, como se pudéssemos melhorá-la ou mesmo mudá-la.  A cópia vai, a essência fica. Da poesia fazem parte os rabiscos, as meio termos, a cor e a forma das palavras e a INdisposição dos versos, que ainda teimam livres em serem impressos.

Ouso dizer, que um poema é uma fotografia de versos em uma pose qualquer. Se tentássemos uma outra igual, considerando a mesma inspiração e as mesmas condições, ainda assim seria diferente (quase usei aqui um ‘malfeita’, mas não é malfeita. É diferente e, portanto nova.).

O poema ainda é o único meio que eu conheço que consegue descrever perfeitamente o som do silêncio, o barulho ensurdecedor da ausência, o nada a dizer.

Não me julgue louca, bem sei que isso se parece mais com prosa. É prosa aqui, era pra ser poema. Ainda é em mim um poema, sobre coisa alguma e inutilidades. Um poema.  

Izuara Beckmann,
12 de Março de 2012


Comentários:
*eu realmente estava em um lugar alto. É um dos versos sem sentido, que tinham todo sentido na hora.
**como todo bom hipócrita, passei a limpo estas linhas. Se servir de consolo, ainda guardo a versão original, feita a tinta preta numa folha amassada.

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