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2012,Março,Prosa
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Sobre coisa alguma e inutilidades...
Caneta nova e uma folha em branco. Só pra ver quanta
inutilidade eu escrevo em uma hora e variações. Não que as palavras
teimassem em sair, digo irremediavelmente sem considerar a solidão.
Acho que a solidão é a grande culpada, ou o medo de altura*... tanto faz.
Agora, aqui, vejo o quanto é hipócrita passar a limpo uma
poesia**, como se pudéssemos melhorá-la ou mesmo mudá-la. A cópia vai, a
essência fica. Da poesia fazem parte os rabiscos, as meio termos, a cor e a
forma das palavras e a INdisposição dos versos, que ainda teimam livres em
serem impressos.
Ouso dizer, que um poema é uma fotografia de versos em uma
pose qualquer. Se tentássemos uma outra igual, considerando a mesma inspiração
e as mesmas condições, ainda assim seria diferente (quase usei aqui um
‘malfeita’, mas não é malfeita. É diferente e, portanto nova.).
O poema ainda é o único meio que eu conheço que consegue
descrever perfeitamente o som do silêncio, o barulho ensurdecedor da ausência,
o nada a dizer.
Não me julgue louca, bem sei que isso se parece mais com
prosa. É prosa aqui, era pra ser poema. Ainda é em mim um poema, sobre coisa
alguma e inutilidades. Um poema.
Izuara Beckmann,
12 de Março de 2012
Comentários:
*eu realmente estava em um lugar alto. É um dos versos sem
sentido, que tinham todo sentido na hora.
**como todo bom hipócrita, passei a limpo estas linhas. Se
servir de consolo, ainda guardo a versão original, feita a tinta preta numa
folha amassada.
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