quinta-feira, 21 de junho de 2012

Dramaturgia



Me sinto melhor aqui, como espectadora de mim.
Assistindo de fora, minha própria cena.
Seguindo um roteiro que nem me lembro se escrevi.
Interpretando faces de mim que não reconheço,
usando máscaras que nem mesmo lembro porque criei.
Aqui, sem motivos os porquês,
vivendo uma dramaturgia que nunca ensaiei.

Parece que só eu mesmo ainda estou na plateia.
Dessa peça que sou protagonista.
Todos de algum jeito já se convenceram a ir embora.
Ainda assim, algum desinformado dá as caras.
No começo, finge se importar.
Depois este também dá as costas.

Me pergunto o que eu faço pra me convencer?
Não tem nada aqui que me identifique,
como esta personagem que finjo ser.
Não há argumentos pra me segurar.
Por que ainda estou aqui?
A pergunta é mais fácil que a resposta.

O coração ainda ignora os fatos.
Quer se agarrar a qualquer coisa que sobra.
Mesmo que não seja relevante.
Mesmo uma projeção errada,
de uma esperança passada.

Não tem mais nada aqui, tento convencê-lo.
Mas ele ainda vê aquela menininha,
que acreditava que tudo ia dar certo.
Que toda realidade seria sonho.
Não posso culpá-lo, também vejo.
As lágrimas que rolam são prova disso.
Mas o coração não chora.
Agarrar-se a qualquer vestígio de esperança é o que faz.
Pra tentar secar as lágrimas, que não sou capaz.

Izuara Beckmann,
21 de Junho de 2012.

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